Fissura no lábio prejudica desenvolvimento da criança


Tratamento multidisciplinar e cirurgia plástica ajudam a corrigir alterações causadas pelo lábio leporino.


Toda gravidez exige cuidados para que o bebê venha ao mundo esbanjando saúde. O problema é que nem todas as mulheres se cuidam como deveriam, causando sérias consequências na criança. O lábio leporino, por exemplo, pode ser o resultado do uso de drogas, álcool, cigarro, medicamentos e deficiências nutricionais. “Infecções como rubéola, toxoplasmose e herpes e fatores genéticos também podem causar a fissura labial”, explica o cirurgião plástico Alderson Luiz Pacheco.


O lábio leporino é o resultado de uma malformação congênita e é caracterizada como uma abertura da lateral dos lábios superiores, entre a boca e o nariz. A abertura pode comprometer ainda os dentes, a gengiva, o maxilar superior e o céu da boca. “Quando a fissura é associada a uma abertura no céu da boca chamamos de fissura labiopalatina. O problema gera consequências estéticas, dificuldades de socialização, danos a dentição, fala, deglutição e audição e aumenta as chances do surgimento de infecções”, aponta.

A fissura labial ainda tem como resultados na criança a desarmonia facial, perda da audição, anemia e refluxo da alimentação. “Mesmo com dificuldades as mães devem persistir na amamentação dos seus filhos. O aleitamento materno ajuda a fortalecer o sistema imunológico da criança, que fica mais frágil por causa do lábio leporino. A amamentação também fortalece as estruturas e a musculatura da face e da boca”, observa.

Existem vários tipos de fissuras, que diferem de acordo com as estruturas afetadas. A unilateral atinge somente um lado do lábio e a bilateral atinge os dois lados. A fissura completa é quando o lábio e o palato são atingidos – deixando o canal oral em contato com o nasal - e a incompleta é quando apenas uma destas estruturas é afetada. “Esta malformação pode estar associada ainda a outras deformidades, que podem estar presentes na face ou em outras partes do corpo”, acrescenta.

Segundo Pacheco, o tratamento precoce é a melhor escolha, já que o bebê terá que enfrentar desde cedo problemas na amamentação, higiene bucal e o próprio desenvolvimento da criança. “Por ser uma questão complexa, a intervenção exige uma equipe multidisciplinar, com especialistas de diversas áreas como da cirurgia plástica, da pediatria, da odontologia e da fonoaudiologia. Com os avanços na medicina, atualmente é possível realizar cirurgia em até 72 horas após o nascimento”, afirma.

O médico esclarece que com a ultra-sonografia os pais buscam orientações sobre o lábio leporino antes mesmo da criança nascer. Assim é possível diagnosticar corretamente o problema e determinar quais são as melhores formas de tratamento para cada caso. Normalmente a fissura está ligada a outra deformidade, ocasionando o caimento da asa do nariz que está sem apoio do músculo. “A cirurgia tem o objetivo de reconstituir o lábio superior e reposicionar o nariz para garantir que o seu desenvolvimento seja normal”, destaca.

Para o cirurgião, a correção estética é considerada tão importante quanto o tratamento precoce da fissura, já que evita diversos desafios para a criança, como o bullying. “Além disso, a cirurgia plástica torna-se importante à medida que também proporciona benefícios à função, como a fala e a respiração correta. Geralmente um tempo de cirurgia consegue resolver cerca de 90% da deficiência, sendo necessário outro procedimento para correção de pequenas alterações que podem ter ficado”, esclarece.