Mostrando postagens com marcador Drª Rita de Cássia Guimarães. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Drª Rita de Cássia Guimarães. Mostrar todas as postagens
Família e escola devem dar suporte a criança com dificuldades auditivas.
De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mais de 15 milhões de pessoas tem problemas de audição no Brasil. Destes aproximadamente 60% não reconhecem que sofrem com deficiência auditiva. “Estimativas indicam que quem é afetado por dificuldades auditivas demora em média seis anos para procurar algum tipo de ajuda e isso é prejudicial a saúde dos ouvidos”, ressalta a otorrinolaringologista e otoneurologista Rita de Cássia Cassou Guimarães, coordenadora do Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido de Curitiba (GAPZ).
O tempo longo para tomar alguma providência é associado a falta de informação, preconceito, medo e até desleixo com a saúde. Rita esclarece que muita gente sente que tem algo errado com a audição, que está falando mais alto e ouvindo menos, e mesmo assim não vai ao médico. “O indivíduo procura ajuda médica quando sente alguma dor ou quando a situação já está avançada. Antes disso fica naquela: quando der um tempo eu vou, ainda estou ouvindo bem. Esta cultura tem que mudar”, alerta.
Quanto mais rápido for feito um tratamento para auxiliar a audição melhores são os resultados. Os ouvidos necessitam de estímulos constantes e a falta de sons faz com que o cérebro perca com o tempo a capacidade de reconhecer os sons, inclusive a fala. “Por isso o uso do aparelho auditivo nos casos indicados é fundamental. No período de adaptação é preciso paciência, pois os ouvidos terão que reaprender a ouvir e o cérebro a compreender os sons. O especialista faz ajustes no aparelho para que não haja desconforto sonoro”, observa.
O uso do aparelho é indicado também para crianças que sofreram perda auditiva. Cada caso deve ser avaliado conforme o grau e o tipo da perda para que o melhor tratamento seja indicado. “Na infância a utilização do aparelho adequado é essencial, especialmente porque é nesse período que a linguagem, a fala e a cognição estão sendo desenvolvidos. Além disso, as crianças que não ouvem bem podem apresentar dificuldades no aprendizado”, destaca Rita, responsável pelo Setor de Otoneurologia da Unidade Funcional de Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da UFPR.
A especialista enfatiza que o aparelho contribui para a socialização da criança na sociedade, na escola e na família. O tratamento precoce, a escolha do equipamento correto e o ajuste adequado garantem uma vida normal aos pequenos que tem possibilidade de melhorar a sua audição. “Os avanços tecnológicos permitiram a confecção de aparelhos mais eficientes, modernos e atraentes. Sem contar que estão muito mais resistentes do que antigamente. Alguns modelos possuem resistência à água e outros já entraram na onda da tecnologia Bluetooth, que permite a interação com outros equipamentos eletrônicos portáteis, como o celular”, aponta.
Para obter os benefícios do aparelho na infância a família deve dar todo o suporte necessário. A escola também tem o seu papel e deve ajudar na integração deste aluno. As brincadeiras de mau gosto e o preconceito podem tornar a vida escolar um sacrifício. “Por isso é importante que os professores atuem efetivamente na inclusão dos estudantes com deficiência auditiva ou qualquer outro tipo de problema. Mostrar para a turma que cada um é diferente, que todos devem conviver em harmonia e incentivar os outros alunos a contribuir com o colega que tem alguma dificuldade são algumas maneiras de promover a inclusão”, acrescenta.

Dra. Rita de Cássia Cassou Guimarães (CRM 9009) 
Otorrinolaringologista, otoneurologista, mestre em clínica cirúrgica pela UFPR 
Telefone: 41-3225-1665 
Blog: http://canaldoouvido.blogspot.com 
Clipping: http://clippingcanaldoouvido.blogspot.com/ 
Facebook Perfil: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002671811923&sk=info 
Facebook Página: http://www.facebook.com/pages/Rita-de-C%C3%A1ssia-Guimar%C3%A3es/226008244113143 
Twitter: https://twitter.com/canaldoouvido 
YouTube: http://www.youtube.com/CanaldoOuvido 
Picasa: https://picasaweb.google.com/116333656756775724930 
Email: ritaguimaraescwb@gmail.com 
Endereço: Rua João Manoel, 304 Térreo, Bairro São Francisco, Curitiba PR.

Hoje, sexta-feira (04/11) o Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido de Curitiba (GAPZ) irá reunir especialistas para discutir o tema ‘Terapia sonora para o zumbido’ com portadores de zumbido. O encontro será no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, a partir das 14 horas. Rita de Cássia Cassou Guimarães, otorrinolaringologista e otoneurologista coordenadora do GAPZ será a palestrante. “A presença das pessoas que sofrem com zumbido é de extrema importância, pois o conhecimento contribui para o tratamento do problema”, ressalta.

O zumbido pode ser caracterizado como um som ouvido nos ouvidos ou na cabeça que surge sem a presença de uma fonte externa. O fato de ouvir um ruído que ninguém mais ouve já assusta o paciente em um primeiro momento. A persistência do barulho e a sua presença durante o dia e a noite pode comprometer a qualidade de vida do indivíduo. “Estimativas apontam que aproximadamente 15% dos pacientes sentem incômodo por causa do zumbido e 5% sofrem com o zumbido incapacitante, que afeta o convívio social e profissional”, explica.

O ortodontista e ortopedista facial Gerson Köhler, membro do GAPZ, observa que mais de 200 fatores podem causar zumbido e por isso a investigação deve ser minuciosa, partindo das causas mais comuns, como a perda de audição, e seguindo até encontrar todas as patologias que estão relacionadas com o ruído. “Quem sofre com zumbido deve procurar em primeiro lugar um otorrinolaringologista. Se este especialista descartar, com o auxílio de diversos exames, os principais fatores que podem levar ao zumbido, o paciente é orientado a buscar ajuda de outros profissionais”, afirma.

Devido à interdisciplinariedade que o tratamento do zumbido exige, o GAPZ é formado por diversos especialistas das áreas da otorrinolaringologia, psicologia, ortodontia e ortopedia facial, fisioterapia e fonoaudiologia. “Todo o tratamento é feito com base nas causas diagnosticadas. Mais de um fator pode causar o zumbido e todos eles devem ser tratados. Alimentação, hábitos de vida e saúde auditiva são apenas alguns elementos que fazem parte da conduta para o tratamento do ruído”, esclarece Rita, mestre em clínica cirúrgica pela UFPR.

Uma das estratégias utilizadas no tratamento do zumbido é a Terapia de Retreinamento do Zumbido (TRT). O principal objetivo é enriquecer a audição do paciente com o uso de determinados sons. “A maioria dos pacientes relata que o zumbido é mais perceptível à noite, quando tudo está em silêncio. Realmente a falta de sons aumenta a percepção do ruído, pois não há concorrência para que o cérebro preste atenção em outros barulhos. Esta terapia possui resultados positivos somente para os casos indicados, ou seja, nem todos se beneficiam deste tratamento”, enfatiza.

A Terapia Sonora para o Zumbido é considerada uma abordagem definitiva, com duração entre 18 e 24 meses. O objetivo é reprogramar o cérebro para que ele aprenda a filtrar o zumbido. “Desta forma ele não percebe mais o ruído e o paciente consegue ter uma melhora na sua qualidade de vida. Cada etapa da terapia é importante, mas as orientações dadas quando o paciente aceita o tratamento são essenciais. É preciso minimizar as reações negativas em relação ao zumbido”, destaca.

Junto com as orientações o paciente é submetido a um enriquecimento sonoro direcionado, pois não é qualquer barulho e nem qualquer volume que é indicado neste processo. “O ruído na TRT deve ser sempre mais baixo do que o zumbido, contínuo e monótono. Com o passar do tempo o cérebro descarta o sinal que codifica o zumbido e ele deixa de ser uma ameaça ao paciente. Todo o tratamento é acompanhado de perto pelo médico, que analisa o progresso e os resultados. Se as respostas não forem satisfatórias são indicadas outras estratégias”, acrescenta Rita.

Outra estratégia utiliza o Neuromonics. É um método novo, que já está disponível em Curitiba, e é considerado o mais recente no que diz respeito a terapia sonora para o zumbido. “O paciente estimula as suas vias auditivas por meio de fones de ouvido, com som neutro e uma música armazenados em um cartão de memória, gravado conforme o perfil de audição de cada indivíduo. O uso deve ser feito em alguns momentos do dia, conforme as orientações médicas. O tratamento dura de seis a oito meses”, declara.

Este método promove o enriquecimento sonoro nas vias auditivas, desfoca a atenção do cérebro no zumbido e induz o relaxamento com sensação de controle sobre o ruído nos momentos de maior incômodo. “Eu passei uma semana em Denver, cidade localizada no Colorado, Estados Unidos, para me socializar com esta nova técnica. Com o treinamento estou apta a oferecer este tratamento aqui no Brasil”, observa a médica, que palestrou no último sábado (29/10) no XI Congresso Brasileiro de Clinica Médica, na Expo Unimed, sobre tonturas e vertigens.

GAPZ

O Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido de Curitiba (GAPZ) tem a missão de informar e atualizar as pessoas sobre o que é, as causas, consequências e tratamentos para o zumbido, visando melhorar a qualidade vida e dar esperança a quem sofre com o problema.

As palestras contam com especialistas de diversas áreas como médicos otorrinos, odontologistas, fonoaudiólogos, psicólogos e fisioterapeutas, que dão orientações e esclarecem as dúvidas dos presentes.

Os encontros do GAPZ acontecem todas as primeiras sextas-feiras do mês, no 5º andar do anexo B do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, a partir das 14 horas. O evento é aberto para qualquer pessoa, a entrada é gratuita e quem quiser colaborar pode fazer a doação de um produto de higiene pessoal. Mais informações sobre o próximo encontro podem ser obtidas através do fone (41) 3225-1665 .
 
Serviço: Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido
Próximo encontro: 04 de novembro de 2011
Tema: Terapia Sonora para o zumbido
Palestrante: Rita de Cássia Cassou Guimarães, otorrinolaringologista, otoneurologista e coordenadora do GAPZ Curitiba
Horário: a partir das 14h
Local: 5º andar anexo B do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná
Agendamento de presença e mais informações: (41) 3225-1665
Entrada livre



A amazona Elisa Guimarães Forchezatto, 12, participou do Concurso de Salto Nacional Indoor, realizado no último fim de semana em São Paulo (SP), em comemoração ao centenário da Sociedade Hípica Paulista. Elisa saltou na categoria Pré-mirim, 1,10 m, com a égua Daphine JMen e consegui o terceiro lugar com direito a pódio, medalha, escarapela e troféu. O resultado foi a somatória de três dias de prova, sendo que a última etapa aconteceu no domingo (02/10), com dois percursos e disputa no desempate.

“A Elisa está se superando cada vez mais e nós sempre a incentivamos. Ela é persistente e tenho certeza que ela irá crescer muito mais nos campeonatos e conquistar resultados ainda melhores”, destaca a mãe da amazona, Rita de Cássia Cassou Guimarães.

GAPZ de outubro abordou as estratégias que tem como objetivo minimizar a percepção do ruído.

Na última sexta-feira (07/10) foi realizada mais uma reunião do Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido de Curitiba (GAPZ). No encontro do mês de outubro a coordenadora do GAPZ, a otorrinolaringologista e otoneurologista Rita de Cassia Guimarães Mendes, falou sobre as várias estratégias utilizadas para o tratamento do zumbido. “Os médicos utilizam alguns princípios para tratar o problema. É fundamental fazer a avaliação e o diagnóstico corretos, corrigir fatores de risco, incentivar a adoção de hábitos saudáveis e reverter as doenças de base”, explica.

Segundo Rita, a doença de base é o fator responsável pelo desencadeamento do zumbido e ela pode estar associada a outros problemas de saúde. “Em alguns casos é necessário estabilizar o organismo, controlando outros aspectos, como colesterol alto e hipertensão, para então dar início ao tratamento do zumbido. A causa mais comum do surgimento do ruído, que pode acometer os ouvidos e a cabeça, é a perda de audição. Nove em cada 10 pacientes com zumbido possuem algum grau de perda de audição. Por isso o primeiro passo é consultar um otorrinolaringologista”, ressalta.

Para minimizar o zumbido e promover qualidade de vida para os pacientes é preciso tratar todas as causas existentes. Rita destaca que cada pessoa tem características únicas e para que o tratamento seja eficaz ele deve ser personalizado. “As causas podem estar relacionadas a outras especialidades médicas como cardiologia, endocrinologia e psiquiatria, ou a outras áreas profissionais, como a odontologia, a fisioterapia, a psicologia, a nutrição e a fonoaudiologia. O otorrino é responsável pelo encaminhamento do paciente a outros especialistas”, observa.

Medicamentos, intervenções cirúrgicas, amplificação sonora, mudanças de hábitos de vida e terapia sonora são tratamentos que contribuem para a minimização do problema. “Os medicamentos são indicados em casos de depressão e insônia e são utilizados somente pelo tempo determinado pelo médico. Já o tratamento cirúrgico vale somente para casos de otosclerose, infecções, tumores e zumbido pulsátil. A amplificação sonora é recomendada quando o indivíduo tem dificuldade para ouvir e entender a fala. O tratamento é feito com o uso de aparelhos auditivos e implantes”, esclarece.

Falta de conhecimento dificulta diagnóstico

Veluz Martins de Oliveira, 53, participou pela primeira vez do GAPZ nesta sexta-feira. Indicada pela otorrinolaringologista que diagnosticou o zumbido, Veluz foi ao grupo com o objetivo de conhecer mais sobre o problema. “Desde os 35 anos eu tenho zumbido, mas só descobri o problema há oito meses. Eu já tinha passado por inúmeros médicos, feito vários exames e durante todos estes anos sofri com crises de labirintite, fiquei viciada em remédios e cheguei a fazer terapia por quatro anos, por causa da depressão, e nada melhorava”, conta.

O diagnóstico foi um grande alívio para Veluz, que depois da descoberta obteve melhoras na sua saúde. Devido a outros tratamentos médicos, a paciente mudou sua alimentação e o zumbido passou a ser menos percebido. Mesmo assim ainda sente dores no ouvido e tonturas e acredita que a família tem papel fundamental em todo o processo. “Só de descobrir fiquei muito feliz. Para mim melhorei 70% pelo fato de saber o que eu tenho. Mas eu queria que a minha família compreendesse meu problema, por isso trouxe meu marido e quero trazer meus filhos. A falta de compreensão familiar prejudica muito a situação”, afirma.

Veluz declarou que adorou o GAPZ e que ficou muito feliz de saber que existem vários tratamentos para o zumbido. “Eu vou continuar vindo e estarei aqui na próxima reunião”, promete. O próximo encontro do GAPZ será no dia 04 de novembro, com o tema ‘Terapia Sonora para o zumbido’, que também será abordado pela coordenadora do grupo. “A terapia é uma das alternativas para melhorar o zumbido. É uma espécie de filtragem sonora, na qual o cérebro passa a perceber menos o ruído e o paciente apresenta melhoras”, evidencia Rita.

 
Deficiência auditiva prejudica convívio social na terceira idade.

O Dia Internacional da Terceira Idade foi comemorado no último sábado (01/10) e a data é uma boa oportunidade para reforçar a importância dos cuidados com a saúde auditiva nesta fase da vida. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) só no Brasil mais de 15 milhões de pessoas têm problemas auditivos e deste total somente 40% reconhecem que a audição não anda bem. “Muitos problemas, como a perda de audição, se instalam de forma progressiva e só são identificados em grau mais avançado”, explica a otorrinolaringologista Rita de Cássia Cassou Guimarães.

Entre os idosos a prevalência dos problemas de audição é ainda maior. Pelo menos 12 milhões de pessoas dos 15 citados acima têm mais de 65 anos e sofrem com algum grau de perda auditiva. “O envelhecimento repercute em toda a saúde do organismo. Com o avanço da idade acontecem alterações degenerativas, consideradas naturais, e que aumentam ainda mais as deficiências que atingem os ouvidos”, ressalta a especialista, que também é otoneurologista e é responsável pelo Setor de Otoneurologia da Unidade Funcional de Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da UFPR.

A perda natural de função faz com que os ouvidos percam primeiro a capacidade de captar os sons agudos. Além da idade, fatores como a otosclerose, intoxicações por medicamentos, otites, tumores e outras doenças podem provocar a diminuição da audição. “A redução na capacidade auditiva ainda pode ser acompanhada por zumbido, tonturas e vertigem. Estes dois últimos sintomas estão ligados aos principais motivos de queda na terceira idade”, observa Rita, que possui o título de mestre em clínica cirúrgica pela UFPR.

A otorrinolaringologista aponta que a vertigem é causada por alterações no sistema vestibular, estrutura localizada nos ouvidos e que é responsável pelo equilíbrio. Nos idosos os distúrbios do metabolismo, infecções, intoxicação medicamentosa, problemas circulatórios, ansiedade e problemas visuais estão relacionados ao surgimento da vertigem. “Sensação de desmaio, náuseas, vômitos, sudorese, palidez e taquicardia são outros sintomas que sinalizam que algo não vai bem”, aponta.

Dificuldades de comunicação prejudicam idosos
A perda auditiva, chamada de presbiacusia quando é resultado do processo de envelhecimento, causa reflexos psicológicos e influem na vida social dos idosos. “A limitação causada pela deficiência auditiva é considera incapacitante, já que o paciente se sente isolado e excluído, pois não consegue desempenhar sua função na sociedade. Os problemas de compreensão da fala do idoso potencializam ainda mais os efeitos negativos dos problemas de audição, afetando inclusive a sua relação com os familiares”, esclarece Rita.

A comunicação é fundamental para manter os indivíduos ativos sociedade e qualquer distúrbio pode comprometer na sua atuação. A dificuldade de ouvir e de compreender a fala de outras pessoas faz com que os idosos se sintam constrangidos e se isolem cada vez mais. “A interação social é prejudicada e se reflete em quadros depressivos, sentimentos de tristeza e desamparo. A família do idoso é de extrema importância para evitar este tipo de situação e deve ficar atenta aos sinais que indicam que é necessário buscar um especialista”, recomenda.  

Segundo Rita, os ouvidos precisam ser constantemente estimulados. Sem os sons eles ficam destreinados, perdem os aprendizados adquiridos durante a vida. Por isso é imprescindível buscar tratamento assim que o problema for descoberto, evitando danos mais sérios à audição. “Exames audiológicos auxiliam o diagnóstico e a consulta a um otorrinolaringologista regularmente previnem o avanço dos problemas auditivos”, acrescenta a médica, coordenadora do Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido de Curitiba (GAPZ).

A fumaça causa infecções nos ouvidos e até perda de audição.

Estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em mais de 192 países revela que mais de 600 mil pessoas morrem por ano em todo o mundo por serem fumantes passivos. Do total 165 mil são crianças. “O fumo prejudica quem fuma e quem convive com o fumante. Antes de chegar ao extremo de causar a morte, o tabaco provoca várias consequências e complicações”, ressalta a otorrinolaringologista e otoneurologista Rita de Cássia Cassou Guimarães, responsável pelo Setor de Otoneurologia da Unidade Funcional de Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da UFPR.
Problemas cardíacos, infecções respiratórias, doenças circulatórias, e cânceres são alguns dos males causados pelo fumo. O tabaco também provoca distúrbios em vários órgãos, como o ouvido. “Com o tabagismo o organismo fica alterado. Há déficit de oxigenação no sangue, alterações na viscosidade sanguínea, obstruções vasculares e outras consequências que afetam de maneira tóxica os órgãos e nervos relacionados à audição e ao equilíbrio”, explica a médica, que possui o título de mestre em clínica cirúrgica pela UFPR.
Os sinais dos prejuízos aos ouvidos aparecem devagar e os primeiros sons a desaparecem são os agudos. Segundo Rita, os ruídos agudos são considerados de alta frequência e normalmente a perda auditiva começa por este nível de som. “O zumbido, dificuldades para compreender as palavras e ouvir os sons e a sensação de ouvido tampado são sintomas que indicam a necessidade de buscar ajuda especializada. Ao primeiro sinal o fumante ativo ou passivo deve recorrer a um otorrinolaringologista, para que sua audição e seus ouvidos sejam avaliados”, recomenda.

Pais fumantes podem prejudicar audição dos filhos

De acordo com uma pesquisa publicada na edição online do Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine, resultado da associação de mais de 60 estudos feitos anteriormente, as crianças que tem pais fumantes possuem mais chances de ter problemas auditivos. “As crianças têm mais chances de sofrer com infecções de ouvido, já que seu órgão é mais sensível e elas estão expostas a mais riscos. A presença de um familiar fumante, especialmente a mãe, contribui ainda mais para a infecção dos ouvidos”, observa Rita.
Além de potencializar os riscos de infecções respiratórias e de ouvido, o tabaco também provoca problemas auditivos, já que as doenças que afetam a região podem deixar sequelas. A fumaça proveniente do cigarro faz com que as bactérias tenham as condições ideais para se desenvolver e se proliferar, causando as infecções. “As inflamações que atingem a orelha média afetam a condução dos sons e em alguns casos podema tingir a cóclea e o vestíbulo, partes internas dos ouvidos, afetandos as células sensoriais. Estas células são fundamentais para audição e são tão sensíveis que não conseguem se recuperar dos danos”, destaca.

Adolescentes também estão expostos aos riscos
Rita, que é coordenadora do Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido de Curitiba (GAPZ), aponta que os adolescentes considerados fumantes passivos também tem mais chances de sofrer com a perda auditiva. Um estudo realizado por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York (EUA), revela que a fumaça do cigarro dobra as chances de surgir a perda auditiva. “Neste caso os jovens têm mais probabilidade de apresentar a chamada perda auditiva neurossensorial, mais comum em pessoas com idade avançada”, evidencia.

O estudo analisou mais de 1500 adolescentes com idade entre 12 e 19 anos. Os jovens fizeram exames e tiveram sua capacidade auditiva avaliada. O principal problema apontado pelos resultados são os relacionados à compreensão da fala e os que estavam mais expostos a fumaça da nicotina apresentavam maior nível de perdaunilateral=retirar!! da audição. “Estes dados demonstram que o fumo é uma questão de saúde pública e é necessário proteger quem não fuma, pois as consequências são graves”, acrescenta a especialista.


Problema pode ser causado pela introdução de objetos nos ouvidos, traumas ou explosões.

O tímpano é caracterizado como uma membrana fina e semitransparente que fica localizada no ouvido médio. Ele tem a forma circular e termina dentro do canal de condução da audição. De acordo com Rita de Cássia Cassou Guimarães, otorrinolaringologista e otoneurologista responsável pelo Setor de Otoneurologia da Unidade Funcional de Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da UFPR, o tímpano tem como função vibrar quando houver estímulos sonoros. “Estas vibrações são transmitidas pelo ouvido médio para que a audição se efetive”, explica.

Os especialistas utilizam uma espécie de lanterna, que emite um facho de luz que ilumina o ouvido. Assim é possível enxergar o tímpano, que normalmente tem a coloração em tons cinza ou branco. “Alterações na coloração dessa membrana podem sinalizar alguma infecção ou doença que atingiu a região. Otites agudas fazem com que o tímpano fique avermelhado, seroso ou purulento. Este tipo de infecção pode prejudicar a integridade da membrana. Processos traumáticos também podem afetar o local”, afirma.

Objetos colocados indevidamente dentro do ouvido, como um lápis, por exemplo, podem causar traumas e perfurar a membrana timpânica. Explosões, pancadas, mergulhos profundos ou acidentes podem causar um aumento ou redução repentina da pressão dentro do ouvido, fato que também pode causar danos ao tímpano. “A ruptura desta membrana causa perda auditiva condutiva, já que a vibração não acontece e os sons não são transmitidos pela via auditiva”, destaca.

Quando ocorre a perfuração do tímpano é fundamental recorrer ao médico o mais rápido possível. Sintomas como dores agudas, hemorragia em um ou ambos os ouvidos, perda de audição, vertigem, presença de pus e zumbido indicam que a saúde auditiva não está bem. “Se o trauma fo intenso, além da perfuração timpânica pode lesionar o ouvido interno e até mesmo romper o conjunto de ossículos presentes no órgão. O problema pode ser ainda maior se houver a entrada de água nos ouvidos, por isso é importante utilizar tampões especiais”, alerta.

O diagnóstico médico é feito com base no histórico do paciente e pelo exame do tímpano, com a utilização de aparelhos específicos como otoscópio ou microscópio. Também é feita uma avaliação do grau de perda auditiva por meio da audiometria. “O tratamento normalmente inclui a indicação de medicamentos via oral para combater a infecção e se o tímpano não se recuperar em alguns meses pode ser necessária a realização de cirurgia para reparar os danos”, esclarece.

A técnica cirúrgica é chamada de timpanoplastia e tem como objetivo reconstruir a membrana timpânica. Rita enfatiza que a cirurgia pode ser realizada com anestesia geral ou local com sedação. “A incisão no canal auditivo serve para que o médico possa ter acesso ao ouvido médio. Durante a cirurgia e com o auxílio de um microscópio cirúrgico é feita a reconstrução da cadeia ossicular, quando necessário, e a membrana timpânica é restaurada”, aponta.

Além da reconstrução das estruturas afetadas, a timpanoplastia tem como finalidade melhorar a audição, prejudicada pela perfuração e ausência das vibrações no tímpano. Mesmo com bons resultados em grande parte dos pacientes, em alguns casos a intervenção cirúrgica não é o suficiente. “Em alguns casos outros recursos são necessários  para a recuperação dos ouvidos e da audição”, acrescenta a especialista, coordenadora do Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido de Curitiba (GAPZ).

Especialidade também se dedica aos transtornos da audição e suas ligações com o sistema nervoso.

A área da saúde responsável pela saúde dos ouvidos – e também do nariz, da faringe, laringe e garganta – é a otorrinolaringologia. A especialidade possui diversas ramificações, que ajudam a tornar os profissionais mais aprofundados em assuntos específicos. “A otoneurologia é um exemplo. Esta é uma área da otorrinolaringologia que se dedica ao equilíbrio corporal, transtornos da audição e suas relações com o sistema nervoso”, explica a otorrinolaringologista Rita de Cássia Cassou Guimarães.

O otoneurologista estuda o aparelho cócleo-vestibular. A cóclea é a parte do ouvido responsável pela sensação auditiva e o sistema vestibular pelo equilíbrio corporal. “O sistema vestibular é composto por vários elementos sensoriais e se relaciona diretamente com outros sistemas do organismo, como a visão, que informa ao cérebro os movimentos corporais”, esclarece Rita, que também é otoneurologista e é responsável pelo Setor de Otoneurologia da Unidade Funcional de Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da UFPR.

O sistema vestibular também está ligado ao sistema proprioceptivo, que envolve músculos, tendões e articulações. Este sistema tem a função de manter a postura e realizar movimentos, ações diretamente relacionadas com o equilíbrio. “As informações de todos estes sistemas são enviadas para o cerebelo, que por sua vez as envia para o sistema nervoso central, que interpreta e garante o equilíbrio estático e dinâmico”, ressalta. 

Otoneurologista identifica e trata problemas no equilíbrio corporal
Tonturas, vertigens e desequilíbrio são sinais de que o sistema vestibular não anda bem. Náuseas, vômitos, palidez, sudorese e taquicardia, sensação de desmaios, zumbido e até mesmo quedas também são sintomas que denunciam algum problema no órgão. “Na avaliação otoneurológica o especialista avalia o sistema auditivo e o vestibular para identificar qualquer alteração ou doença que possa estar prejudicando o equilíbrio corporal”, aponta.

Entre as causas dos problemas relacionados ao equilíbrio está o uso de determinados medicamentos com ação antiinflamatória, que podem causar ou agravar as alterações. “Outras patologias também podem originar o desequilíbrio. O ideal é que o paciente consulte um médico otoneurologista para que seu caso seja avaliado assim que os sintomas surgirem. Quanto antes o tratamento for iniciado, melhores? serão os resultados”, enfatiza. 

No consultório o primeiro passo é responder a algumas perguntas que ajudam o médico a conhecer o cotidiano e os hábitos do paciente, respostas que facilitam o diagnóstico. “Também são indicados a realização de exames otoneurológicos, que incluem a avaliação da audição, mesmo em pacientes que não possuem queixas relacionadas é fundamental este tipo de exame, e a análise do equilíbrio”, acrescenta.

Os objetivos dos exames são verificar o grau de comprometimento dos órgãos, identificar em qual lado está a lesão, se ela é periférica ou central, caracterizar o seu tipo e a sua intensidade e ajudar a reconhecer a causa do problema. “Os exames também auxiliam na prescrição do tratamento, que pode ser feito com medicamentos, exercícios para a rebilitação vestibular, atividade física, mudanças na alimentação e em casos particulares com intervenção cirúrgica”, finaliza.
Doença hereditária causa perda auditiva progressiva

Otosclerose pode prejudicar a condução do som ou atingir as células sensitivas. Em alguns casos a cirurgia pode resolver o problema.


Estimativas apontam que pelos menos 10% das pessoas na fase adulta apresentam algum sinal da otosclerose, doença relacionada com o processo de ossificação do ouvido que causa perda progressiva da audição. De acordo com Rita de Cássia Cassou Guimarães, otorrinolaringologista, otoneurologista e mestre em clínica cirúrgica pela UFPR, a otosclerose é genética e se manifesta enquanto a pessoa ainda é um adulto jovem.“A doença causa alteração no processo de ossificação e reabsorção do osso do labirinto, afetando a transmissão dos sons”, explica.

O ouvido é formado por três partes – o ouvido externo, médio e interno. No interno está localizado o osso mais duro do organismo, chamado de bloco labiríntico. É nesta região que a cóclea e o labirinto ficam situados dentro do ouvido. “Este osso é preenchido por um líquido e quando há alterações degenerativas o osso começa a ficar esponjoso, afetando tanto a condução dos sons quanto a parte sensitiva da audição. A doença inicia na proximidade entre o osso estribo e o bloco labiríntico, impossibilitando a vibração necessária para a condução do som”, esclarece.

Quando as alterações causadas pela otosclerose ocorrem próximo ao estribo os movimentos são fixados, impedindo a vibração, ou seja, prejudicando a condução dos sons externos. “O som é uma vibração que se propaga pelas moléculas presentes no ar. Para que o ruído chegue aos ouvidos é preciso que haja a vibração do som externo, que será transmitida para a orelha interna por meio da vibração dos ossículos do ouvido em direção aos líquidos do labirinto. Por isso quando a vibração óssea é interrompida, como no caso da otosclerose, a condução do som também se encerra. Essa degeneração é responsável por um tipo de surdez chamada de condução e com o agravamento da doença ocorre a degeneração óssea labiríntica com surdez mista, ou seja, de condução e sensorial por causa da lesão das células auditivas”, observa.

Nos consultórios as principais queixas que tem como diagnóstico a otosclerose estão relacionadas com a perda de audição. Outra reclamação comum entre os pacientes é o zumbido, que pode ou não estar acompanhado de problemas na audição. “A perda pode ser parcial ou total. Em alguns casos a evolução do problema tende a ser rápida e a pessoa pode perder a audição ainda em idade jovem, já que a doença normalmente surge entre os 18 e 30 anos. São raros os casos em que algum indivíduo com mais de 40 anos tenha otosclerose”, destaca.

A doença pode atingir apenas um ouvido ou os dois, sendo que a chamada otosclerose bilateral é responsável por 40% dos casos e a unilateral corresponde a 60%. Quando os dois ouvidos sofrem com o problema um é sempre mais prejudicado do que o outro. “A principal causa da otosclerose é genética. Ela é mais comum em pessoas brancas, sem haver uma explicação científica para isso. A incidência da doença é maior na Europa do que no Brasil, mesmo assim há vários casos aqui”, acrescenta.

Não existe nenhum meio de prevenir a doença e quem tem otosclerose deve ficar atento as queixas dos filhos com relação à audição e até fazer exames periódicos, facilitando o diagnóstico. “Há duas opções de tratamento, o uso do aparelho auditivo e a cirurgia. Como a doença se manifesta ainda na juventude, a maioria dos pacientes se sente incomodada com a perda auditiva e procura o médico para diagnóstico e tratamento. O aparelho auditivo compensa a perda auditiva com resultados muito bons em relação à audição, o entendimento dos sons da fala e o zumbido. A intervenção cirúrgica tem bons resultados, mas não pode ser indicada para todos os casos. A cirurgia só é recomendada quando a perda de audição é condutiva, alteração identificada na maioria dos casos”, ressalta.

Durante a cirurgia é feita a substituição do osso estribo afetado por uma prótese, possibilitando a vibração do som e a volta da audição. Mas a escolha pelo procedimento não é tão fácil, já que requer um cirurgião experiente em cirurgias de ouvido para evitar a lesão do ouvido interno com risco de perda auditiva total e irreversível. “Outro detalhe é que o tipo de material da prótese pode influenciar os resultados. Após a cirurgia há algumas limitações. Não é possível fazer mergulho submarino profundo por causa da pressão, por exemplo”, finaliza a especialista, coordenadora do Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido de Curitiba (GAPZ).


Secreção limpa os ouvidos e impede a entrada de água e microorganismos que podem causar doenças.
A cera é substância amarela presente no canal do ouvido e que muitas pessoas insistem em retirá-la com objetos pontiagudos ou com as hastes flexíveis de algodão – hábito totalmente condenado pelos médicos especialistas devido aos grandes riscos de prejudicar os ouvidos. “A cera, ou cerume, termo utilizado pelos profissionais, é secretada no canal auditivo e desempenha um papel importante para a saúde dos ouvidos”, explica a otorrinolaringologista e otoneurologista Rita de Cássia Cassou Guimarães.

O cerume é responsável pela limpeza, lubrificação e proteção do dos ouvidos contra bactérias, fungos e insetos. A cera é produzida no terço externo da área cartilaginosa do canal auditivo. “É uma mistura de secreções oriundas de glândulas sudoríparas apócrinas com líquidos mais viscosos, provenientes das glândulas sebáceas presentes no local”, esclarece a especialista, responsável pelo Setor de Otoneurologia da Unidade Funcional de Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da UFPR.

Para que o canal auditivo seja limpo a cera é levada para fora, carregando toda a sujeira, pó e partículas existentes no caminho. O movimento da mandíbula auxilia na limpeza, pois a sua ação faz com que os detritos se desgrudem das paredes do ouvido. “Ao tentar retirar o cerume, o indivíduo está criando um ambiente propício ao surgimento de microorganismos capazes de causar infecções e doenças no ouvido, já que a cera tem a função de inibir o crescimento de determinados fungos”, alerta.

A secreção proporciona a lubrificação do canal auditivo à medida que previne coceiras, queimaduras e a dissecação da região. A cera é rica em substâncias lipídicas, encontradas no sebo produzido pelas glândulas sebáceas, proporcionando a lubrificação. “A cera ainda evita a entrada de água nos ouvidos e a deficiência na sua produção pode deixar a pele seca, provocar coceiras ou ainda a descamação do local”, aponta a médica, que também possui o título de mestre em clínica cirúrgica pela UFPR.

O excesso de cerume também é prejudicial, mas é preciso atenção – apenas os médicos podem fazer a limpeza do canal auditivo, pois possuem os equipamentos necessários e o conhecimento técnico que evita qualquer lesão. “O excesso de cera pode pressionar o tímpano, obstruir o canal auditivo externo, o que provoca dificuldades para ouvir, pois impede a entrada adequada do som. Neste caso deve-se procurar um otorrinolaringologista para uma avaliação e indicação de tratamento”, observa. Quando há muita cera o primeiro pensamento que surge é retirá-la com as famosas hastes flexíveis de algodão. Rita reforça que o uso de cotonóides pode empurrar ainda mais a cera para dentro, agravando a situação. “Normalmente as pessoas acham que não faz mal usar os cotonóides e pensam que realmente conseguem limpar os ouvidos. Na realidade as hastes removem apenas um pouco da camada superior da cera, que fica colada no algodão e o restante continua no canal auditivo, cada vez mais para dentro”,
evidencia. 
Aparelhos auditivos devolvem a audição e a alegria de viver


Dispositivo exige paciência e cuidados para que as vias auditivas reaprendam a ouvir.

Existem várias estratégias utilizadas pelos médicos para ajudar um paciente com dificuldades auditivas voltar a ouvir. O aparelho auditivo é uma delas e é indicado para casos de perda auditiva definitiva, em grau que afete o entendimento dos sons da fala, com ou sem queixa de zumbido. A indicação dos aparelhos auditivos é um procedimento médico e a fonoaudióloga especialista em audição seleciona e adapta os aparelhos no paciente que deve estar com suas expectativas adequadas. “O aparelho auditivo faz parte de uma abordagem terapêutica e exige paciência para que os ouvidos possam aprender a ouvir novamente, sobretudo nos pacientes que estão há muito tempo com a dificuldade auditiva”, explica a otorrinolaringologista e otoneurologista Rita de Cássia Cassou Guimarães, responsável pelo Setor de Otoneurologia da Unidade Funcional de Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da UFPR.

Segundo Rita, quando as vias auditivas não são estimuladas acabam perdendo a capacidade de processar os sons, fato que contribui para dificuldades de atenção e memória. A dificuldade em ouvir e entender exige maior esforço para a comunicação. Quando a perda auditiva é de longa data, mesmo que o som volte o paciente possui dificuldades para ouvir claramente e compreender os sons, especialmente a fala. “Alguns casos, mesmo após as explicações sobre o uso do aparelho ha necessidade de treinamento para reaprender a ouvir. Além disso, a presença física do aparelho nas orelhas é outro fator que também incomoda no início”, esclarece a especialista.

Com o passar do tempo o paciente sente que o aparelho faz parte do seu corpo e passa a usá-lo o dia todo sem desconforto. Se houver algum incômodo relacionado à altura dos sons o médico deve ser avisado para que sejam feitos os ajustes necessários no dispositivo. “A regulagem garante que o som entre nos ouvidos na altura adequada, sem causar prejuízos para as vias auditivas. Nos primeiros dias o paciente é aconselhado a usar o aparelho por um determinado tempo e em locais que não tenham ruídos em excesso. Os sons devem ser reconhecidos aos poucos”, acrescenta.

Os usuários de aparelhos auditivos devem ficar atentos ao modo como colocam o objeto nas orelhas. É fundamental que o molde de adaptação seja colocado corretamente, evitando que o aparelho machuque a região. “A má colocação ainda pode provocar microfonia, uma espécie de apito contínuo que incomoda a audição. A integração do dispositivo é gradual e no começo muitas vezes o usuário não reconhece sons habituais como sua voz, ruídos da mastigação, da respiração, etc. Por este motivo ser persistente e não se desesperar é fundamental”, destaca. 

Fatores como idade, intensidade e tempo da perda auditiva e a saúde geral influenciam a adaptação ao aparelho. Até as emoções podem afetar a percepção no uso do objeto. “É importante que os pacientes lembrem que, assim como as pessoas que possuem a audição saudável, quem usa o aparelho também deve se concentrar para ouvir corretamente”, observa. 

Rita evidencia que cerca de 90% das pessoas com perda auditiva apresentam queixa de zumbido. A condição de perda auditiva uni ou bilateral provoca diminuição na estimulação sonora nas vias auditivas o que facilita perceber o zumbido. “Os aparelhos auditivos compensam a perda da audição e garantem estimulação constante das vias auditivas, diminuindo a percepção do zumbido”, declara.

O efeito mais positivo do aparelho é a reintegração no convívio social e familiar. Quem possui dificuldades para ouvir acaba se isolando, pois não consegue acompanhar as conversas ou se sente incapaz com o problema. “O uso do aparelho ajuda a restaurar a audição e devolve a alegria de viver. Os relacionamentos familiares ficam muito melhores e o usuário participa intensamente das conversas. A qualidade de vida também aumenta”, enfatiza Rita, que também é coordenadora do Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido de Curitiba (GAPZ).

A especialista lembra que é importante manter o aparelho auditivo sempre limpo e revisado. A limpeza deve ser feita diariamente, com um pano seco e após o uso o objeto deve ser colocado no desumidificador. “O aparelho não pode ser molhado, mas é impossível impedir a umidade devido ao suor e a mudanças climáticas, por isso o desumidificador é fundamental. Outra dica é utilizar apenas pilhas especiais para aparelhos auditivos, aumentando a vida útil do objeto”, finaliza.


Na próxima sexta-feira, dia 01 de julho, acontecerá mais um encontro do Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido de Curitiba (GAPZ), no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, a partir das 14 horas. O tema do GAPZ deste mês é “Relações entre zumbido, intolerância a sons e perda auditiva” e será ministrado pela fonoaudióloga Izabella Macedo. “Estimativas indicam que cerca de 90% dos pacientes com perda auditiva possuem o sintoma zumbido”, aponta à especialista, mestre em Distúrbios da Comunicação.

Rita de Cássia C. Guimarães, otorrinolaringologista, otoneurologista e coordenadora do GAPZ, observa que o zumbido não causa perda auditiva. “Porém quem sofre com problemas auditivos tem mais chances de ter zumbido. Sem a presença dos sons para estimular as vias auditivas, o cérebro passa a prestar mais atenção nos sons internos, como é o caso do zumbido, barulho percebido na cabeça ou nas orelhas sem a presença de qualquer fonte sonora externa”, explica.

Outra queixa muito comum de quem possui perda auditiva e zumbido é a hipersensibilidade aos sons, classificada em três tipos - a hiperacusia, a misofonia e a fonofobia. “De 25 a 40% dos pacientes relatam que tem hipersensibilidade auditiva. Algumas pessoas são tão sensíveis que até mesmo os sons do dia-a-dia, em níveis considerados normais, causam muito desconforto, a ponto de ser intolerável. Para identificar qual é o tipo de hipersensibilidade do paciente é preciso realizar alguns exames e então o paciente é encaminhado para o tratamento mais adequado”, destaca Rita.
Macedo esclarece que a hiperacusia é a tolerância reduzida aos sons e que se manifesta mesmo quando a intensidade do barulho é moderada. O paciente tem audição normal, mas sua sensação é de que os sons estão mais altos. Já a misofonia é a resposta emocional ou condicionada da aversão a determinados sons. “Na misofonia o paciente ouve um som que causa desconforto e o sistema nervoso e límbico reagem de maneira desproporcional, sem haver alterações anormais do sistema auditivo. E a fonofobia é o medo da exposição sonora”, observa. 

O zumbido é um sintoma de que algo não vai bem no organismo. Mais de 200 fatores podem desencadear o problema, que afeta mais de 28 milhões de brasileiros. “Os pacientes relatam que o som do zumbido é semelhante ao barulho de uma abelha, do tocar de um sino, cliques, pulsações, grilo e até o som da eletricidade. O tipo do som varia de indivíduo para indivíduo, mas o problema é o mesmo. O tratamento deve ser interdisciplinar, ou seja, envolve a atuação de diferentes profissionais, como psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, otorrinos e ortodontistas”, ressalta o ortodontista e ortopedista facial Gerson Köhler, que também faz parte do grupo.

GAPZ
O Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido de Curitiba (GAPZ) tem a missão de informar e atualizar as pessoas sobre o que é, as causas, consequências e tratamentos para o zumbido, visando melhorar a qualidade vida e dar esperança a quem sofre com o problema.

As palestras contam com especialistas de diversas áreas como médicos otorrinos, odontologistas, fonoaudiólogos, psicólogos e fisioterapeutas, que dão orientações e esclarecem as dúvidas dos presentes.

Os encontros do GAPZ acontecem todas as primeiras sextas-feiras do mês, no 5º andar do anexo B do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, a partir das 14 horas. O evento é aberto para qualquer pessoa, a entrada é gratuita e quem quiser colaborar pode fazer a doação de um produto de higiene pessoal. Mais informações sobre o próximo encontro podem ser obtidas através do fone             (41) 3225-1665       .

Serviço: Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido

Próximo encontro: 01 de julho de 2011

Tema: Relações entre zumbido, intolerância a sons e perda auditiva

Palestrante: Izabella Macedo, fonoaudióloga

Horário: a partir das 14h

Local: 5º andar anexo B do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná

Agendamento de presença e mais informações:             (41) 3225-1665