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Sem fornecimento de ar a pressão dentro do ouvido não é equalizada e o tímpano é puxado para dentro, provocando o estímulo doloroso.

Ninguém gosta de sentir dor, afinal é uma sensação incômoda e que pode provocar diferentes sensações e percepções dolorosas nos indivíduos. A dor possui uma função importante: alertar sobre um perigo iminente, avisar que algo de errado está acontecendo. “É uma forma que o organismo tem para se proteger, mostrando que existem certos limites que não podem ser ultrapassados ou que é hora de se preocupar com a saúde. A dor em si é associada a fenômenos neurofisiológicos, processos iguais para todos os seres humanos”, afirma a otorrinolaringologista Rita de Cássia Cassou Guimarães.
O que muda de pessoa para pessoa é a experiência dolorosa, influenciada por atores psicológicos, sociais e culturais. Independentemente do tipo da dor, Rita ressalta que esta manifestação indica que o corpo tem alguma alteração. “Sentir dores nos ouvidos, por exemplo, é um sinal de que há doenças ou distúrbios no órgão ou em alguma estrutura orgânica próxima a eles. Quando o problema está no ouvido a causa é otológica e quando não está é uma causa não otológica”, esclarece a médica, que também é
Otoneurologista.
A otite externa aguda é uma infecção de causa otológica, que ocorre na pele do canal do ouvido e pode ser causada por vários tipos de germes ou fungos. O paciente apresenta dores severas e profundas e coceira. Se não for tratada a infecção pode causar descamações da pele interna do ouvido e prejudicar a audição. “A otite média aguda também é um tipo de infecção, caracterizada por sensações dolorosas intensas, redução da audição e febre. Nas crianças há agitação, perda de apetite e vômitos. Se houver perfuração no tímpano podem surgir secreções no ouvido”, aponta.
A otite média aguda pode ser causada por gripes e resfriados, nos quais os vírus ou bactérias migram da garganta ou nariz para os ouvidos pela tuba auditiva e é mais comum em crianças. “Os tumores são outros fatores que causam dor de ouvido. Apesar de serem menos frequentes, os tumores provocam diminuição da audição. Neste caso o médico faz um histórico do paciente, exames do ouvido e também exames por imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética”, observa a especialista.
A obstrução da tuba auditiva, canal responsável pela ligação entre a parte posterior do nariz e o ouvido médio, também pode causar dores de ouvido. O ar presente no ouvido médio é contido pela membrana timpânica e é reabastecido por meio da abertura da tuba auditiva durante o ato de engolir. “Desta forma a pressão do ar em ambos os lados do tímpano é semelhante. Quando há alguma obstrução da tuba não é possível distribuir de maneira uniforme a pressão do ar. Sem fornecimento de ar ocorre um vácuo no ouvido médio que suga o tímpano para dentro. Esse tensionamento provoca o estímulo doloroso”, acrescenta.
Entre as causas não otológicas que provocam dores nos ouvidos estão as de origem dentária, disfunções têmporo-mandibulares associadas a problemas dentários, infecções e tumores na faringe, boca e amígdalas, problemas nas vias aéreas, aparelho digestório, região cervical e na base do crânio. “Isto ocorre devido à ramificação dos nervos da cabeça, pescoço, tórax e do aparelho digestório. É uma forma de dor refletida, pois os impulsos dolorosos chegam aos ouvidos por meio das conexões das ramificações nervosas entre a região afetada e os ouvidos”, explica. 



Dra. Rita de Cássia Cassou Guimarães (CRM 9009) 
Otorrinolaringologista, otoneurologista, mestre em clínica cirúrgica pela UFPR    
Blog: http://canaldoouvido.blogspot.com 
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Endereço: Rua João Manoel, 304 Térreo, Bairro São Francisco, Curitiba PR.
Enriquecimento sonoro ajuda a diminuir a percepção do zumbido.

No dia quadro de novembro foi realizada a reunião do Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido de Curitiba (GAPZ) do mês de novembro. No encontro a otorrinolaringologista Rita de Cássia Cassou Guimarães falou sobre a Terapia de Retreinamento do Zumbido, em inglês Tinnitus Retraining Therapy (TRT). “Esta abordagem definitiva é baseada em dois princípios: a orientação e o enriquecimento sonoro. O zumbido é desmistificado durante as consultas e o paciente é orientado a evitar o silêncio com a ajuda de determinados sons, mas sem mascarar o ruído”, explica a especialista, que coordenada o grupo.
O tratamento dura entre 18 e 24 meses e atua graças a neuroplasticidade do cérebro, ou seja, a sua capacidade de adquirir novos comportamentos ou de reaprender uma função. “Com a repetição dos estímulos o cérebro aprender a não respondê-los e esta atitude fica guardada na memória. Desta forma a reação a determinado estímulo desaparece. Com este mecanismo a TRT contribui para a habituação da reação ao zumbido e da sua percepção. É um método desenvolvido pelo neurocientista polonês Pawel Jastreboff”, esclarece.
A TRT é indicada para zumbido uni ou bilateral, independente da causa. O principal objetivo é diminuir a percepção do zumbido e eliminar o incômodo que ele causa. Com as mudanças no reconhecimento cerebral do sintoma zumbido as alças que ele tem com o Sistema Límbico, responsável pelas emoções, e com o Sistema Nervoso Autônomo são desativadas. “Assim o zumbido deixa de ser uma ameaça ao indivíduo e o sinal que o codifica é descartado. Em 80% dos casos os resultados são positivos no âmbito da redução da percepção do barulho”, observa.
O enriquecimento sonoro é feito com um som neutro, contínuo e monótono em baixa intensidade, de maneira que seu volume não ultrapasse o zumbido, proporcionando estimulação cerebral contínua. “O tipo de som varia de acordo com o paciente. Podem ser usados sons ambientais, geradores de som que produzam uma espécie de barulho neutro, uso do aparelho auditivo para melhorar a audição e aumentar o fluxo de sons que chegam às vias auditivas e até mesmo o implante coclear”, aponta.
Uma nova estratégia utilizada na terapia sonora para o zumbido que chegou ao Brasil é o Neuromonics. O enriquecimento sonoro é feito com som neutro e uma música armazenados em um cartão de memória, gravado conforme o perfil de audição de cada paciente. “Além de tirar o foco de atenção do zumbido, o método induz o relaxamento nos momentos de maior incômodo. O paciente sente que tem controle sobre o ruído. A duração do tratamento é de seis a oito meses”, acrescenta a médica, que recebeu treinamento nos EUA para aplicar esta técnica.
Quem quiser saber mais sobre o zumbido, compartilhar sua história com outros pacientes e receber orientações sobre como obter tratamento pode comparecer no próximo encontro do GAPZ, que será realizado no dia 02/12. Na última reunião do ano serão apresentados os casos de sucesso do tratamento do zumbido, com o testemunho de pessoas que conseguiram vencer este obstáculo. No final será feita uma confraternização com todos os participantes.

GAPZ
O Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido de Curitiba (GAPZ) tem a missão de informar e atualizar as pessoas sobre o que é, as causas, consequências e tratamentos para o zumbido, visando melhorar a qualidade vida e dar esperança a quem sofre com o problema. As palestras contam com especialistas de diversas áreas como médicos otorrinos, odontologistas, fonoaudiólogos, psicólogos e fisioterapeutas, que dão orientações e esclarecem as dúvidas dos presentes.
Os encontros do GAPZ acontecem todas as primeiras sextas-feiras do mês, no 5º andar do anexo B do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, a partir das 14 horas. O evento é aberto para qualquer pessoa, a entrada é gratuita e quem quiser colaborar pode fazer a doação de um produto de higiene pessoal. Mais informações sobre o próximo encontro podem ser obtidas através do fone (41) 3225-1665.

Serviço: Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido
Próximo encontro: 02 de dezembro de 2011
Tema: Apresentação de casos de sucesso no tratamento do zumbido
Palestrante: Rita de Cássia Cassou Guimarães, otorrinolaringologista, otoneurologista e coordenadora do GAPZ Curitiba
Horário: a partir das 14h
Local: 5º andar anexo B do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná
Agendamento de presença e mais informações: (41) 3225-1665
Entrada livre